terça-feira, 9 de abril de 2013
Solitário
A cada texto que ele publica na internet, sente-se como Fernando Collor. Tem vontade de gritar, para as paredes do quarto: "Não me deixem só!" Então vem o milagre. Uma pessoa curte o seu texto no facebook. É como se ele fosse envolvido por uma multidão de aplausos. No caso, de um velho amigo.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Microfones
Com todo o respeito a ex-jogadores. E sem querer generalizar. Mas jornalista não pode ficar refém do complexo de inferioridade de quem trocou o futebol pelo microfone e muitas vezes busca impor conhecimento no grito. Vivência não é onipotência. Visão de campo não é visão de mundo.
Diversidade
É compreensível que negros, homossexuais e ciclistas, entre outros, se melindrem com opiniões contrárias. A exclusão a que eles foram submetidos por anos os leva a uma revolta radical, às vezes infantil, contra qualquer tipo de crítica, enquadrando como preconceito a mais simples objeção. Isso só irá se acalmar com o tempo. Respeitar as diversidades também passa por entender o sofrimento de cada uma delas.
Professores
Tempos atrás, o jogador brasileiro ia para a Europa a fim de ensinar para contribuir com o clube que o contratava. Atualmente o jogador brasileiro vai para a Europa a fim de aprender para contribuir com o clube que o contrata. O futebol brasileiro se esqueceu de que um dia já foi professor. Profissão, aliás, muito desvalorizada no "País do futebol".
Astros
A moça era nova naquela banca. Local movimentado, perto da Brigadeiro. Ele comprou seu jornal rotineiramente. Para pagar, subiu no piso de madeira. O local era apertado, entre as prateleiras de alumínio e uma geladeira de sorvetes. Não viu o rapaz que sempre o atendia. Perguntou onde estava aquele jovem de olhos claros, um pouco gordo, pele morena. Não o via há algum tempo. A menina, de cabelo preso, com uma blusa decotada e calça jeans, dilatou as pupilas, supresa pelo interesse. Logo refeita, respondeu que ele havia ido para outra banca da família, na região. "Ele prefere ficar lá". Eram primos. Ele agradeceu, foi embora e, ao atravessar a rua, observou o moço do estacionamento, com camisa verde e calça preta, do uniforme, sair do bar onde tomou um uma média com pão na chapa. Em minutos iria estar manobrando os carros com devoção, como quem manobra o destino. Sempre que reparava em pessoas assim, vinha-lhe uma curiosidade, misturada com ternura. Via neles herois. O que faziam? Do que gostavam? Onde estavam? Para onde foram? O que sonhavam enquanto transitavam das suas moradias nas periferias até o trabalho? Daquela gente simples, de um mundo quase sem dinheiro, surgiam olhares luminosos, sorrisos emblemáticos, um universo de perspecitvas, preocupações, tristezas, sonhos e esperanças. Avultavam o trabalho e o esforço. Destacava-se uma labuta digna e obstinada, geradora de amor sabe-se lá a o quê. Ele os admirava com a intensidade de quem admira um personagem das novelas. Havia semelhanças. Estes moços, em seus enredos diários, não deixavam mesmo de ser astros, das suas próprias vidas.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Pessimistas
Autores como Thomas Mann e Ernest Hemingway alcançam o supremo dom de apresentar os dramas humanos com profundidade. Ao mesmo tempo, mostram-se infantis ao não resolverem estas questões com a maturidade com que as descrevem.
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Reviravoltas
Hemingway ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1954. Neste ano, o Brasil perdia, de forma melancólica, a Copa do Mundo na Suíça. O presidente Getúlio Vargas, assim como o laureado autor de "O velho e o mar", se suicidou. Anos depois, o Brasil chegou à democracia. Hemingway contribuiu com um mundo melhor ao abordar de forma tão dramática as questões humanas. E o Brasil encontrou sua identidade no futebol, ganhando cinco Copas do Mundo. Um brinde à tristeza.
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