terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Cético
Um autor escrevia tanto sobre amor e morte, de forma cética e superficial, que passava a impressão de que ele não sabia o que era amar e nem amava o que era viver.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Peretz, a escola que uniu dois mundos
Por Eugenio Goussinsky
Desde que havia deixado o
colégio I.L Peretz em 1974, aos cinco anos, eu nunca mais tinha entrado lá até
o ano de 2007. Ou melhor: nunca entrara nessas unidades, já que fui aluno na
época em que a escola ficava na Avenida Brasil, num espaço ajardinado rodeado
por baixas cercas com placas de madeira.
Na minha mente de criança do
Bialik, para onde me mudei, havia uma espécie de muro entre as duas
instituições. Os mensageiros dessa outra realidade, para mim, eram os próprios
alunos, amigos meus da Hebraica. Eles me passavam a impressão relativa aos seus
universos, com olhares e um jeito de ver as coisas talvez de uma maneira mais
prática.
Quantas vezes não juntamos
nossos mundos em jogos na antiga quadra dos fundos do clube, percebendo que,
por trás das "diferenças" escolares, batiam os corações de crianças
ávidas em encontrar seus lugares? Fosse jogando futebol no campeonato, em que
certa vez usamos a mesma camisa listrada do Santos, ou em qualquer outra
atividade que compartilhávamos.
Nos cruzávamos em bar mitzvot,
festas de primos, em ocasiões nas quais eu me aproximava de desvendar o
mistério. Via cada um desses membros de outro colégio em suas intimidades.
Diria que vestidos à paisana.
E no rastro desse enigma,
descobri que a figura de Peretz, acima de tudo, era a de um humanista. Percebi
isso no dia que em que pisei lá novamente. Um humanista, seja o poeta Bialik ou
o escritor Peretz, une mundos. Como ocorreu comigo. O muro sumiu, como um
encanto que permite enxergar exatamente como era o jardim do vizinho.
Adulto, revivi sensações de
meus tempos de escola, ao levar meus filhos, Raul, o mais novo, e Diogo, o mais
velho, de minha esposa, para lá. Enfrentávamos, ao som da Rádio Disney, o
trânsito da Domingos de Morais até chegar ao portão de aço azul dos prédios da
Madre Cabrini.
Os carros enfileirados, um
pressionando o outro, esperavam as crianças com cara de sono se espalharem
pelas calçadas rumo à entrada, preenchendo a rua de uma pressa viva.
Eu via a movimentação e, ao
mesmo tempo, a interligava ao horizonte à frente, com a pracinha da Bíblia
atraindo revoadas de pássaros, enquanto a manhã se espreitava pelas nuvens e
pelos prédios da redondeza.
Depois, eu prosseguia o
trajeto até a Rua Estado de Israel. Deixava o mais novo na entrada enfeitada
por algumas plantas. Só saía assim que ele batia a mão para cumprimentar o
Paulão, em um tranquilizador estalido de boas-vindas.
Muitas vezes eu fazia o
trajeto de táxi com eles. E voltava a pé até o metrô Vila Mariana, pelas ruas
bucólicas da região; o bosque dentro da escola; o jardim da Sena Madureira; as
árvores e as casas geminadas; a banca e armazéns que dão à Capitão Macedo e à
Coronel Lisboa ares interioranos.
Quando o Raul ainda
frequentava o prédio do Vermelhinho, na Educação Infantil, eu o levava de mãos
dadas.Subíamos as escadas, contemplando os trabalhinhos na parede, após
passarmos pelo saguão geralmente enfeitado e pelos dois aquários na lateral que
dava para o pátio. Então o deixava na classe, após cumprimentar a morá e
receber às vezes uma reprimenda: "ele já está grandinho, pode vir
sozinho".
Mas era prazeroso vê-lo subir
sorridente e cativante, como se manteve até o último dia, quando, lá na quadra
do Azulzinho, abraçando-o junto a mim, olhamos os balões soltos pelos pais,
professores e alunos irem se diluindo pelo céu. Até não mais se encontrarem.
Não consigo mais visualizar as
feições do Raulzinho dos primeiros anos da escola. Só me lembro da sensação de
eu também estar voltando no tempo, ao sentir novamente o ambiente escolar
acolhedor, que ajudava a me fortalecer para enfrentar a minha realidade de
adulto.
Até parecia estranho eu ficar
um tempinho sentado lá na entrada. Nunca faltou aquele café quentinho da
garrafa térmica e as bolachas para complementarem o café da manhã. Ficava
alguns minutos sorvendo aquele clima de encanto e espanto, de gestos que as
crianças eternizam pela vida em seus corações, como os que vivenciei em meus
tempos de menino.
Como me esquecer de quando
todos acenamos com uma bandeirinha, para o Emerson Fittipaldi, vindo em um carro
de bombeiros quando chegou ao Brasil, após ser campeão mundial em 1974?
Depois veio o Bialik. Para mim
um foi a continuidade do outro. Uma fusão que no meu íntimo já havia sido
concluída desde que o Diogo subiu aquelas escadas do Azulzinho.
Ele chegou sem conhecer
ninguém. E logo misturou - aos corredores, às classes, às quadras, às rampas em
zigue-zague, às salas de espera, às salas das coordenadoras - todas as mudanças
de seu corpo e de seu rosto.
A mistura foi até a despedida,
na adolescência, e seu 9.8 na recuperação de Geometria, quando comemorou, com
seus mesmos cabelos lisos e castanhos, mas já com sua voz em transição e uma
turma de amigos que cresceram como num passe de mágica.
Vou me lembrar sempre dos
eventos entre pais e filhos no salão lá de cima ou na antiga sinagoga. E das
danças no final, meio desajeitadas, lá na entrada. Da venda de uniformes no
amplo porão, ao lado do almoxarifado e da piscina coberta, onde nascia a engrenagem
da da escola.
Vou me lembrar das feiras de
ciências com um toldo armado no pátio, em que no fundo havia um balcão com
voluntários servindo salgados e outras guloseimas. Nessas ocasiões, era comum a
correria das crianças pelas classes, esbanjando curiosidade em ver como era a
escola fora do dia de aula.
Vou me lembrar da minha
alegria, e do alívio, após cada reunião com as professoras, quando prevaleciam
as boas notícias, cujo lado positivo era enfatizado sem que a realidade fosse
perdida de vista.
Vou me lembrar dos rostos de
cada pai e mãe, muitos dos quais reencontrei após o hiato da infância, já com
seus filhos, dos quais também vou me lembrar.
Vou me lembrar do carinho das
professoras, coordenadoras, diretores, funcionários, cada um ao seu estilo,
sempre com uma dedicação terna e serena.
Vou me lembrar do parquinho,
dos jabutis da horta do pátio, testemunhando em seus ritmos lentos a velocidade
frenética das crianças se desenvolvendo em alarido.
Vou me lembrar do Raul olhando
para trás, antes de entrar na escola para os desafios de um novo dia. E do meu
olhar de incentivo, dizendo "mete a cara, filhão".
Vou me lembrar das músicas que
marcavam nossas idas, da Rihanna, da Sia, da Kate Perry, do Jota Quest e
clássicos dos anos 80.
Vou me lembrar de quando eu
esperava o Raul na saída, do lado de dentro, observando a árvore ao lado do
muro balançar no ritmo do vento e da vida. E cumprimentando seus amiguinhos que
vinham, correndo desde a rampa, me perguntar quanto foi o jogo do Corinthians.
O porteiro, pelo microfone, já começava a chamar um por um.
Vou me lembrar dos balões da
despedida, como pessoas, separarem seus caminhos no alto. Mas com a diferença
que elas, as pessoas, terão para sempre o poder de se reencontrar a qualquer
momento. Sempre que puderem. Sempre que quiserem. Quando se lembrarem.
Vou me lembrar, mesmo que esse
Peretz das minhas descrições tenha acabado ontem. Um outro, certamente, vai
continuar em mim amanhã. Porque desde hoje estará correndo na alma de meus
filhos.
E agora, vou encaixando uma
emoção aqui, outra ali. Gratidão, afeto, saudade e a necessária esperança estão
encontrando gradativamente os seus lugares. Tenho certeza de que, como sempre
fiz em minha vida, vou dar um jeito. Já sei até qual a melhor maneira. Vou me
lembrar.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Frase
O professor sabia muito, era inteligente, bom em tudo
Exímio orador, compreensivo, de invejável conteúdo
Versado na origem da vida, conhecia religião e biosfera
Entendia o que vinha oculto, de tanto que era culto
Só não sabia explicar uma coisa, ao ouvir a velha frase
Dinheiro não é o mais importante, vale mais a profundidade
Por que me pagam tão pouco, se só falam da minha qualidade?
Exímio orador, compreensivo, de invejável conteúdo
Versado na origem da vida, conhecia religião e biosfera
Entendia o que vinha oculto, de tanto que era culto
Só não sabia explicar uma coisa, ao ouvir a velha frase
Dinheiro não é o mais importante, vale mais a profundidade
Por que me pagam tão pouco, se só falam da minha qualidade?
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Ilusões
Ele manda uma carta reclamando em público e depois fala que não busca rompimento.
Ele deixa vazar um áudio falando em assumir o lugar do outro e depois fala que era um ensaio para uma peça de teatro.
Já no lugar do outro, ele forma uma equipe só com vozeirão, terno, gravata e barba, mas fala que não tem nada contra aquela que gera os filhos.
Um dos seus projetos tira da escola o esporte e a arte, mas ele fala que admira a sensibilidade humana.
Ele gasta dinheiro em jantares de gala para pedir que gastem menos com as pessoas e fala que valoriza a saúde e a educação.
Ele escreve "Labaredas de fogo" e "lábios rubros" e fala que faz poesia.
Ele pensa que não engana os outros, enganando a si mesmo e não percebe que está se dando um golpe.
Ele deixa vazar um áudio falando em assumir o lugar do outro e depois fala que era um ensaio para uma peça de teatro.
Já no lugar do outro, ele forma uma equipe só com vozeirão, terno, gravata e barba, mas fala que não tem nada contra aquela que gera os filhos.
Um dos seus projetos tira da escola o esporte e a arte, mas ele fala que admira a sensibilidade humana.
Ele gasta dinheiro em jantares de gala para pedir que gastem menos com as pessoas e fala que valoriza a saúde e a educação.
Ele escreve "Labaredas de fogo" e "lábios rubros" e fala que faz poesia.
Ele pensa que não engana os outros, enganando a si mesmo e não percebe que está se dando um golpe.
Quadra
Ela parecia um organismo à parte na escola. Mas não era. Aquela quadra, lá no fundo, era um local onde pairavam os desejos de herói das crianças que corriam por sua superfície. Nos recreios, era um cenário de sonhos.
Os meninos costumavam tomar conta do espaço. Corriam em alarido dentro de times que chegavam a ter trinta jogadores cada. E, da confusão repentina, de repente surgia a bola e ela era chutada por um predestinado que comemorava a sorte de ser o contemplado com um gol.
As meninas só podiam usá-la mais tranquilamente na Educação Física delas, que afastava aquele avassalador trovejar de passos dos garotos em direção ao seu templo sagrado.
Era quando, regidas pela morá (professora) Rose, as minhas escolhidas desfilavam, para mim, seus ares de musas inspiradoras, com saques por baixo e olhares de soslaio.
O local era coberto, na parte de trás do Colégio Bialik. Ficava logo depois de um pequeno pátio, meio escuro, entre a cantina e o pátio principal.
Ligava, como uma entrada de serviço, o setor do ginásio ao do pré-primário, por uma escada de ferro que mudava de direção.
Por suas paredes de cimento, pintadas de branco, ressoava um pouco da alma de cada um. Peculiar, a quadra tinha também a missão de ser uma pausa da tensão das aulas e ao mesmo tempo um espelho do que acontecia lá.
Quando eu tinha acabado de entrar na escola, ela me ajudou a conhecer meus novos amigos, apresentando de certa maneira o futebol para mim. Me interessei, fui ver o jogo do Corinthians contra o Fluminense em 1976, com o saudoso Capita em campo, e me apaixonei para sempre.
Enquanto corria por sua superfície de concreto, toda pintada de um verde gasto, via as marca das áreas, do meio-campo e das laterais como se fossem riscadas a giz. E sua superfície verde escura, gasta, era como uma lousa de ensinamento para mim.
Nela, eram reveladas minhas esperanças em driblar. E minhas inseguranças ao errar, competindo com meus amigos nesta fase de aprendizado. Lá, por mais de 10 anos, conheci muitas lições sobre a identidade humana, inclusive a minha. Tal oráculo apontava momentos de mágoa, de graça, de altruísmo de um passe ou do egoísmo da reclamação.
Era preciso ser forte para vencer naquela quadra: e vencer, no caso, era conhecer a própria essência, independentemente dos gols sofridos ou das discussões da infância.
E o esporte foi se tornando tão importante que, a cada dia, a aula de Educação Física era a mais esperada. E quando o professor Abelardo, um uruguaio de olhar sério e cabelos enrolados, que educava com poucas palavras, e depois do professor Ricardo, o típico boa gente, diziam que iria ter futebol, então...
E quando me sentia um pouco isolado e já cansado de ter de seguir regras e aguentar a rotina imposta desde cedo, que somos obrigados a seguir, ousava entrar sozinho na quadra. Geralmente, todos já tinham ido embora.
Sentava em um canto e só ficava escutando aquele silêncio de fundo de mar. Também andava pelas linhas, observava cada ângulo adormecido, lembrando-me de como há instantes o agito preenchia aquelas entranhas agora vazias.
Escutava apenas os sons lá de fora. Buzinadas de carro, brecadas, um grito de uma criança, o ritmo pulsante do dia chegavam um tanto abafados. Protegidos. Até a luz do sol podia ser vista por frestas. Que também deixavam passar as gotas de chuva. E a cada gesto meu, ela respondia. Pisava mais forte, o som aumentava.
Se eu sussurrava, ouvia sua resposta imediata ecoar, generosa, alcançando e ampliando minha voz. Refletindo com transparência a minha, a nossa, realidade solitária.
Se gritasse, ela acolhia o berro e ia diminuindo os ecos até eles cessarem, contidos como círculos em um lago ou um soluçar que se rende ao alívio. Ela era bondosa e implacável. Quando adulto, a revi de passagem e fiquei impressionado com suas dimensões, tão menores do que imaginava. E mais uma vez ela me apontou uma verdade: a infância passara.
No fundo, em nossas conversas daqueles tempos sem palavras, ela filtrava tudo para mim e dizia: "Olha, a vida lá fora continua, só lhe resta entrar no jogo e fazer a sua parte. Simbolizo o palco dos homens. Quando precisar, estarei aqui, pode se sentar e descansar no meu silêncio." A quadra da escola já não existe mais, no concreto. Mas o seu conselho, ecoa em mim até hoje.
Os meninos costumavam tomar conta do espaço. Corriam em alarido dentro de times que chegavam a ter trinta jogadores cada. E, da confusão repentina, de repente surgia a bola e ela era chutada por um predestinado que comemorava a sorte de ser o contemplado com um gol.
As meninas só podiam usá-la mais tranquilamente na Educação Física delas, que afastava aquele avassalador trovejar de passos dos garotos em direção ao seu templo sagrado.
Era quando, regidas pela morá (professora) Rose, as minhas escolhidas desfilavam, para mim, seus ares de musas inspiradoras, com saques por baixo e olhares de soslaio.
O local era coberto, na parte de trás do Colégio Bialik. Ficava logo depois de um pequeno pátio, meio escuro, entre a cantina e o pátio principal.
Ligava, como uma entrada de serviço, o setor do ginásio ao do pré-primário, por uma escada de ferro que mudava de direção.
Por suas paredes de cimento, pintadas de branco, ressoava um pouco da alma de cada um. Peculiar, a quadra tinha também a missão de ser uma pausa da tensão das aulas e ao mesmo tempo um espelho do que acontecia lá.
Quando eu tinha acabado de entrar na escola, ela me ajudou a conhecer meus novos amigos, apresentando de certa maneira o futebol para mim. Me interessei, fui ver o jogo do Corinthians contra o Fluminense em 1976, com o saudoso Capita em campo, e me apaixonei para sempre.
Enquanto corria por sua superfície de concreto, toda pintada de um verde gasto, via as marca das áreas, do meio-campo e das laterais como se fossem riscadas a giz. E sua superfície verde escura, gasta, era como uma lousa de ensinamento para mim.
Nela, eram reveladas minhas esperanças em driblar. E minhas inseguranças ao errar, competindo com meus amigos nesta fase de aprendizado. Lá, por mais de 10 anos, conheci muitas lições sobre a identidade humana, inclusive a minha. Tal oráculo apontava momentos de mágoa, de graça, de altruísmo de um passe ou do egoísmo da reclamação.
Era preciso ser forte para vencer naquela quadra: e vencer, no caso, era conhecer a própria essência, independentemente dos gols sofridos ou das discussões da infância.
E o esporte foi se tornando tão importante que, a cada dia, a aula de Educação Física era a mais esperada. E quando o professor Abelardo, um uruguaio de olhar sério e cabelos enrolados, que educava com poucas palavras, e depois do professor Ricardo, o típico boa gente, diziam que iria ter futebol, então...
E quando me sentia um pouco isolado e já cansado de ter de seguir regras e aguentar a rotina imposta desde cedo, que somos obrigados a seguir, ousava entrar sozinho na quadra. Geralmente, todos já tinham ido embora.
Sentava em um canto e só ficava escutando aquele silêncio de fundo de mar. Também andava pelas linhas, observava cada ângulo adormecido, lembrando-me de como há instantes o agito preenchia aquelas entranhas agora vazias.
Escutava apenas os sons lá de fora. Buzinadas de carro, brecadas, um grito de uma criança, o ritmo pulsante do dia chegavam um tanto abafados. Protegidos. Até a luz do sol podia ser vista por frestas. Que também deixavam passar as gotas de chuva. E a cada gesto meu, ela respondia. Pisava mais forte, o som aumentava.
Se eu sussurrava, ouvia sua resposta imediata ecoar, generosa, alcançando e ampliando minha voz. Refletindo com transparência a minha, a nossa, realidade solitária.
Se gritasse, ela acolhia o berro e ia diminuindo os ecos até eles cessarem, contidos como círculos em um lago ou um soluçar que se rende ao alívio. Ela era bondosa e implacável. Quando adulto, a revi de passagem e fiquei impressionado com suas dimensões, tão menores do que imaginava. E mais uma vez ela me apontou uma verdade: a infância passara.
No fundo, em nossas conversas daqueles tempos sem palavras, ela filtrava tudo para mim e dizia: "Olha, a vida lá fora continua, só lhe resta entrar no jogo e fazer a sua parte. Simbolizo o palco dos homens. Quando precisar, estarei aqui, pode se sentar e descansar no meu silêncio." A quadra da escola já não existe mais, no concreto. Mas o seu conselho, ecoa em mim até hoje.
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